sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Respeito" por Fabricio Costa


Boa tarde caros colegas e amigos, hoje venho comentar sobre algo que ha muito me incomoda, mas evito falar ou comentar por ser algo que nem todas as pessoas concordam ou têm a mesma opinião, posto em meu mural pois sei que somente quem é amigo meu no facebook verá e são pessoas com quem me preocupo, tenho carinho e respeito, partindo desta premissa creio que faço bem em abrir os olhos de todos. Atualmente a internet disponibiliza inúmeros videos tutoriais de tudo que se imagina, e de todos este tutoriais os que me interessam neste momento são os de Breaking.
Nunca vi ninguém dizer ser um capoeira ou capoeirista depois de assistir videos na internet e se reunir com amigos pra "imitar" os movimentos, também não vi ninguém dizer que é algo que tenha visto e reproduzido a movimentação, mas vejo sempre pessoas dizendo ser Bboys ou Bgirls depois de reproduzir alguns movimentos, se reunir com amigos e treinar, mesmo não partindo de uma fonte, mesmo não possuindo um "Mestre" que os ligue à base disso. Acho muito bom que nossa cultura atraia pessoas e que estes se sentem na necessidade de se auto denominarem ou assumirem-se como Bboys ou Bgirls, mas existe uma diferença que nem todos entendem e ou aceitam, algumas pessoas somente praticam Breaking, já outras são bboys e ou bgirls.
Qual é a diferença entre as duas situações? a primeira, a pessoa se identifica, gosta, participa de alguma forma, mas não vive isso, é uma pratica como outra qualquer, seria fácil dizer: Eu pratico Breaking. Diante disto as pessoas que são e que vivem realmente o breaking ficam misturadas a este perfil, pois aquele que faz um "moinho" ou um Flare somente, se diz "ser" um bboy, enquanto os que vivem a cultura, lutam pela existência e preservação da mesma, não dizem isso pois não é preciso, eles sabem que são, não precisam de uma legenda embaixo dizendo: BBOY ou BGIRL, isto esta agregado a sua própria imagem.
Eu não discrimino ninguem neste meio, costumo dizer que em nossa cultura, até o que é "ruim" é bom, pois divulga nossa cultura e depois de passar o furor do momento, conseguimos um ou mais adendos, mais pessoas fazendo um bom trabalho pela cultura. É impossível atualmente termos uma cultura livre de influências, possuímos pessoas livres de influências, mas a cultura, por viver em um meio global, sempre sofrerá alteração por onde passe ou de acordo com o tipo de abordagem feita, mas sei também que conscientizar, informar e abrir portas, não faz mal a ninguém. Vejo conversas e discussões na interne, brigas e semi-brigas entre pessoas dizendo que uma coisa é dança e outra não, que isso é dança e aquilo não, tudo na vida é dança, qualquer expressão corporal é dança, seja esta expressão a resposta de uma sonoridade ou não. Andar é dança, tudo é dança e tudo é ritmo, dançar vai alem do Breaking, então como eu disse, tudo é dança, mas nem tudo é Breaking.
O Breaking existe e possui início, meio e fim, sim "fim", precisamos estudar, conhecer e praticar o breaking, dançá-lo e sabê-lo, para que eu seja um BBoy ou Bgirl e para que eu dance e viva o breaking. É errado usar elementos de outras artes ou movimentações abstratas e contemporâneas? Não, nunca foi, somos livres para fazermos e criarmos o que quisermos, mas precisamos ser honestos consigo mesmos e com sua arte, partindo do entendimento de que se eu uso 20% do meu breaking e os outros 80% são de elementos abstratos, não estamos dançando Breaking, e sim estamos dançando somente, e usando o breaking como influência ou como base de criação, mas não estamos dançando Breaking. Power Gymnastics, Abstract, Flexible, Thread, dentre outros "subestilos" são muito bemvindos quando são usados dentro do Breaking, não quando o Breaking é usado dentro deles, pois se eu danço uma mistura de House com capoeira e acrobacias, dentro deste contexto de criação eu coloco elementos do Breaking, eu estarei dançando, somente, não estou dançando breaking, não deixarei de estar dançando, eu só não estarei dançando breaking. Certo dia me deparei com um vídeo que tinha um título de os melhores bboys de 2012 ou algo assim, o video era grande, tinha uns 10 minutos, já passava dos 8 minutos e eu tinha visto, capoeiristas, acróbatas, contorcionistas, penso ter visto até mágicos, menos Bboys, pensei então: Onde foi parar o Breaking neste mundo de hoje?
As pessoas se preocupam tanto em se mostrar, aparecerem, se fazer presentes, que colocam sua própria imagem à frente da sua arte, colocam suas criações à frente da arte que as deram espaço. Este texto é um lamento, não uma crítica dura, mesmo parecendo ser uma crítica, isso é somente um lamento. Não sou um bboy exímio, magnífico, não sou nada disso, eu mesmo sempre digo, eu sou melhor professor do que Bboy, eu amo minha arte e minha cultura e isso é minha vida, eu faço para esta cultura o melhor de mim pois ela me deu oxigênio e sangue em minhas veias. Antes de baterem no peito e dizerem: Eu sou foda, sou o melhor, sou extraordinário, reflitam e pensem se são tudo isso no Breaking ou na dança somente, pois os Bboys estão em extinção, se não fossem alguns "chatos" e ou "retrogados" como eu, hoje não saberíamos mais como é o breaking em sua forma original, pois as influências e interferências ja teriam tomado toda esta dança e ele seria irreconhecível. Deixo um vídeo abaixo de um de nossos mestres, um de nossos mentores, para se lembrarem um pouco desta arte que é o Breaking e vos digo: Antes de viajarem para uma Battle ou qualquer coisa no exterior, lembrem-se: Temos um passado, possuímos mestres ainda vivos, visitem o Bronx, respirem nosso passado e conheçam nossas raízes e mestres, só assim seremos parte disso tudo, eu ainda não fui, mas terei minha chance.

Bboy/Bgirl Foundations: Toprock


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Espetáculo "Danças Urbanas: Juntos pela Paz" um marco na história do Hip-Hop Alagoano

    Os grupos de danças urbanas Resgate Crew, União Quilombrothers, e Made in Brazil, foram selecionados para apresentar um espetáculo de dança no 13º Teatro Deodoro é o maior barato em Maceió, um projeto cultural que seleciona equipes de musica, circo, dança e teatro para que todas as quartas-feiras, de abril a novembro, se revezem no palco do Teatro Deodoro para  apresentarem seus trabalhos. onde os mesmos criaram uma CIA DE DANÇAS URBANAS. Neste ano projeto recebeu 68 inscrições, foram 33 CIAs, bandas e grupos selecionados para apresentarem seus Musicais e Espetáculos, destes apenas 5 CIAs de dança foram escolhidas.

    A CIA irá se apresentará no dia 13 de junho deste ano, as 19:30 horas no Palco do Teatro Deodoro. O espetáculo ainda está em processo de montagem e tem por nome “DANÇAS URBANAS: Juntos pela Paz” é uma iniciativa pioneira, este será o primeiro espetáculo de danças urbanas (Street Dances) de nosso estado e um dos primeiros do nordeste, ele será um marco para a Cultura urbana Hip-Hop Alagoana.

   A CIA pretende através deste espetáculo sensibilizar o público mostrando a dura realidade de Alagoas, considerado o estado mais violento do Brasil com altos índices de assassinatos nos últimos anos, eles mostrarão ainda os talentos que existem nas periferias, além de propor soluções para reduzir este problema. “Cada um pode fazer a sua parte pela paz em nosso estado, nem que seja através de uma simples oração, cremos que a falta de Paz em Alagoas deve-se a falta da busca por Jesus em vários lugares e famílias, a bíblia afirma que Cristo é o Príncipe da Paz, uma vez invocando-o Ele virá trazendo a verdadeira paz e transformando essa realidade”.